domingo, 29 de agosto de 2010

A voz de quem entende do assunto [Rock Drive] III

Que música é cultura todos já sabemos e partindo daí, logo, é gosto pessoal. Irwin já disse: “tudo virou um grande mercado”. Mas, e quanto à receptividade do público? É tudo um mercado, mas não somos obrigados à ouvir aquilo que não queremos, certo? Errado! Na entrevista abaixo, Irwin explica os conteúdos musicais e a receptividade que os mesmos tem perante a sociedade. Em afirmações categóricas e cheias de opinião, Irwin desce o verbo desde o Funk ao R&B Americano.


Irwin: A música atual é um mercado. A situação atual dentro de um cenário mundial - não digo nem à nível de Brasil - é caótica, é precária, é ridícula. Você pega um artista como a Lady Gaga que ano que vem com certeza não vai ser ninguém e vai sumir, vai desaparecer; você pega bandas que hoje estão estouradas como McFly, que é música pop - pego mais músicas pop por que os underground sempre vão estar aonde eles estão. Por isso são bandas mais verdadeiras e mais sinceras e duram mais tempo - Mas se a gente pegar do mercado pop, que é o mercado consumidor, que é do qual a gente ta falando, vai ter bandas como McFly, Jonas Brothers, Miley Cyrus e outras coisas e isso não vai existir daqui um ano.

Por que é forçado demais a imagem do artista e o tempo dele é totalmente perecível. Então isto cansa. O próprio público vai ficando mais velho e a cada ano que passa ele vai recebendo uma bomba de coisas novas e ele vai trocando, vai evoluindo perante o mercado e regredindo perante pessoa.

A cultura não é mais pra ser explorada. Não se deve ter cultura por que a cultura atrapalha. Quanto mais você pensar, mais você vai selecionar, então você só vai consumir uma única coisa. Você não vai consumir várias coisas e isso é ruim para o mercado. Então a verdade é que hoje o mercado ele é muito flutuante a nível de qualquer estilo musical, de produção, de tudo.

Na produção você pega uma das maiores escolas de música do planeta, como a Berklee que é uma das maiores escola de música do mundo, e você tem aula de engenharia de produção, você tem aula de ‘como se montar’ uma música de sucesso. A gente vê porque músicas de R&B americanos como Beyoncé e Norah Jones, Alisha Keys, porque que isso faz tanto sucesso? Por que cada coisa criada naquilo ali, dentro das músicas de Justin Timberlake e Chris Brown e Ne-yo, são feitas pra dar certo. Elas não são feitas para dar errado. O cara senta pra fazer um sucesso daquilo ali, ele sabe que aquilo vai ser sucesso. Por que cada nota daquele vocal é feito para atingir uma freqüência no teu cérebro que diz para você que aquilo é bom. Então tudo aquilo ali é estudado, cada batida daquela ali é estudada. A gente tem um exemplo no Brasil disso, com o Funk. São muito ignorantes e burros quem pensa que o Funk não é feito para dar certo e é uma das músicas mais inteligentes do mundo. Não tem letra, não tem conteúdo, talvez seja a grande porcaria do Brasil - o Funk, o Axé - mas eles trabalham em cima de uma gama de repetição de efeitos e de uma batida de freqüência grave que atinge uma certa região do cérebro que causa o movimento. Então o Funk por mais que você odeie, se tiver num lugar que ta tocando e você estiver com uma grande quantidade de pessoas, primeiro: você vai se desinibir, então aquilo vai gerar com que você pare pra escutar. Quando você perceber, você esta mexendo seu pé, você ta mexendo seu braço. E é totalmente incondicional, você não está percebendo que você está fazendo aquilo. Ta acontecendo, por que aquilo é feito estrategicamente para que você aceite, é a mesma coisa que acontece com a música eletrônica e é a mesma coisa que acontece com o R&B americano. O R&B americano é o nosso ‘pancadão’, só que não tem nem como discutir por que o de lá é muito melhor que o nosso.

A situação do cenário atual é precária. Em termos de produção é tudo feito estrategicamente para dar certo. O conteúdo é totalmente vazio, não tem nada. A maioria das músicas hoje não tem nada. A receptividade do público, ela é voltada à moda e a parte de divulgação é simples: tem que se usar todos os artifícios possíveis para fazer aquilo chegar até o público: visual, marca de roupa, griffes, tênis, seja o que for... propaganda, capa de caderno; o que for necessário para se empurrar aquele produto humano pras pessoas, deve e vai ser usado. Isso é uma tendência de mercado, então isso não vai acabar. A tendência é piorar cada vez mais.


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