sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A voz de quem entende do assunto [Rock Drive] II

(Des)Contra-Ação: Qual a diferença desta produção de músicas das bandas de antigamente para atualmente?

Irwin: Indiscutivelmente não tem o que dizer, a musica acabou em 1995. A musicalidade morreu nos anos 90. Talvez algumas bandas, ainda do pós-grunge, acho que a verdadeira música acabou no Nirvana. foi a última grande banda que tivemos no mundo. E talvez os anos 90 tenha sido a última década de realmente artistas, de inspirar musicalidade. Existem grupos e músicos hoje muito bons? Tem. Nós temos, dentro do Rock And Roll, o Muse que é uma banda inglesa que é fenomenal, que toca uma música que realmente não é prostituída, não é vendida, é arte. Nós temos um artista turco, chamado Mika que pega um estilo pop misturado com George Michael, Elton John e Queen (Freddie Mercury), que é um monstro, canta muito, as músicas são muito boas.

Temos o John Mayer que é um americano que faz um estilo mais Folk, Soul e Blues, que é um monstro também na música. Mas são coisas muito pinceladas que se misturam e esbarram no meio de uma grande prostituição mercadológica, por que a música virou um produto. Esta que é a verdade: ela sempre foi um produto.

Nos anos 80 o Hard Rock, na década de 50 a meados de 60 nós temos o Rockabilly: Elvis Presley, Chuck Berry, Bill Haley , Jerry Lee Lewis, e um monte de gente. Então a gente tem isso. Na época de70 nós temos a disco music. Então sempre vai ter um mercado. Só que antigamente o mercado não era baseado só em venda. Era baseado na diferença. Era baseado na expressão artística. Hoje em dia o mercado é baseado em vender um produto. A gente brinca que as bandas tem que se preocupar muito mais no tênis que vai calçar, na calça que vai botar, no cabelo que vai cortar do que no som, por que o som é uma cópia “Ctrl+C” e “Ctrl+V” de tudo, bota talvez um tecladinho aqui, uma batidinha ali, mas no final é a mesma coisa, não muda.

Indiscutivelmente eu acho que dificilmente a gente vai ter despontado no mundo hoje bandas como foi o Guns N’ Roses, como foi Led Zepllin nem vou citar Michael Jackson que seria até uma ofensa, não teria nem como citar. Acho que nunca vai existir um artista que chegue próximo ao que foi Michael Jackson . Mas nem tem como voltar esta fase, por que tudo é uma evolução, seja indo pro lado bom, ou pelo lado ruim.

Acredito que a diferença mais forte que existe entre as bandas atuais, os músicos atuais e os de antigamente é a questão da globalização, da concorrência e da evolução. Não é que a música de hoje é pior do que a de antigamente, mas a tendência mercadológica que se criou em cima disso levou pra que fosse assim.

Você pode pegar, hoje, bandas comerciais, como Fall Out Boy, se botasse o Fall Out Boy para tocar na época do Beatles, o Beatles seria ninguém, por que o Fall Out Boy é infinitamente mais bem feito, produzido com acordes mais trabalhados, vocal mais afinado. Só que o Fall Out Boy barrando perto dessas bandas de estilo deles, acabam tendo seu brilho ofuscado e em nível de mercado não tem tanta moral.

A gente tem vários paradigmas do antes e depois. Será que Pelé jogaria tanta bola na época do Ronaldo Fenômeno e do Ronaldinho Gaúcho? Será que se Ronaldinho Gaúcho jogasse naquela época Ronaldinho Gaúcho era melhor do que Pelé? Então não dá pra ter essa comparação. Talvez a única comparação que a gente pode ter é que o mercado consumidor evoluiu pra um lado ruim e isso tende a fazer com que as bandas passem a ser ruins. Não é que as bandas não tenham capacidade de fazer música, no nível que era feito no passado, mas é que o futuro, o presente, não consome o passado.

Não dá para você pegar uma banda tipo Restart, por exemplo, e querer que Restart toque que nem Led Zepellin porque o próprio público que consome Led Zepellin nunca iria em um show do Restart, porque veria um monte de pirralhos de 17 anos tocando música velha e eles não atingiriam respeito por isso. Acho que se baseia em todo este contexto, de produção musical, de produção de eventos e de bandas atuais e novas.


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